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Ar Condicionado – O PREÇO JUSTO

Como avaliar qual é o preço justo de uma instalação de ar condicionado?

A famosa frase ” O barato sai caro” não é verdade.  O barato é barato e o caro é sempre caro.

Na formação do preço o que deve ser levado em conta é o nível de exigências  do conjunto (temperatura, umidade, velocidade do ar, nível de ruído e qualidade do ar) + qualidade do projeto, procedência dos materiais e equipamentos, qualidade da instalação, facilidades de manutenção, consumo de energia, custo operacional e custo acumulado em toda vida útil do sistema.

Como em qualquer disciplina existem os curiosos, os “entendidos” e os especialistas. Infelizmente as referências que temos vem quase sempre dos “entendidos”.

QUALIDADE DO AR

Só podemos ficar 3 (três) dias sem água. Nosso corpo tem cerca de 42 litros de água. Se perder entre 15% e 25% disso, as células murcham e o sangue fica viscoso, dificultando o trabalho do coração.
Resultado: tonteiras, fadiga, inconsciência e, no fim, morte.

Só podemos ficar 3 três minutos sem respirar. Sem oxigênio os neurônios são os primeiros a sentir os efeitos. Depois que um neurônio morre não se recupera nem se ganha um substituto.
Resultado: a morte cerebral é irreversível ou o coração pode sofrer lesões e infartos.

Mas aqui não estamos falando de faltar oxigênio e sim de respirar um ar melhor (sem excessos de gases, CO2, compostos orgânicos voláteis, poeira, fuligem, fumaça, pólen, fungos, bactérias, vírus, micro-organismos, contaminantes químicos, odores entre outros). Estes componentes nunca estão nas proporções corretas e as discrepâncias podem ser muito prejudiciais.

Os ambientes com ar condicionado chegam a ter uma qualidade do ar até pior do que o ar externo local. O objetivo de uma instalação de ar condicionado para conforto, é conseguir obter uma condição ambiente e satisfação do usuário, respeitando no mínimo as normas e legislação vigente.

Entende-se aqui por conforto não só a temperatura do ar ambiente mas a acústica, iluminação, umidade pureza e velocidade do ar, tipo de vestuário, atividade física, saúde, sexo, idade e tempo de permanência.

Com um sistema de ar condicionado pode-se atingir uma condição ideal do ambiente porém é impossível obter-se uma condição de conforto para todas as pessoas neste mesmo ambiente.

Assim, podemos dividir:

  • Condições rígidas em ambientes com necessidades específicas (centros cirúrgicos, salas limpas, processos industriais etc.)
  • Condição efetiva de conforto que atende a maioria das pessoas.

O mínimo que se espera é respirar um ar livre de contaminantes externos e/ou de contaminantes produzidos pelas próprias pessoas (CO, vírus, bactérias, micro-organismos).

TAXA DE AR EXTERNO

A pessoas imaginam que um aparelho de ar condicionado “captura” o ar externo, o resfria e o insufla no ambiente para manter a temperatura desejada. A grande maioria nunca ouviu falar de taxa de ar externo.

A taxa de ar externo é a quantidade de ar (de preferência tratado) que deve ser admitida em um ambiente, para diluir os elementos nocivos à saúde dos ocupantes e manter o nível de pureza dentro de faixas aceitáveis.

Atualmente encontramos muitas instalações onde sequer existe uma TAE (Tomada de Ar Exterior)

Sistemas centrais ou instalações bem feitas possuem tomadas de ar exterior.

Este ar pode ser tratado e enviado diretamente no ambiente ou misturado ao ar que retorna vai para o condicionador e daí para o ambiente. Em certos momentos. pode-se até mesmo condicionar o ambiente somente com o ar exterior.

Equipamentos do tipo split system fazem o ar do ambiente passar pela serpentina resfriada e recirculam este mesmo ar de volta. Este ciclo abaixa a temperatura e a umidade e dá uma sensação de conforto, porém a recirculação do mesmo ar sem renovação é extremamente nociva à saúde.

Existem lei e normas  bem claras a serem cumpridas quanto a taxa de renovação necessária para cada uso e aplicação.

Por sorte, os ambientes normalmente não são estanques e recebem um pouco de ar externo por frestas existentes nas janelas ou abertura de portas. Mas esta vazão de ar é sempre muito aquém da necessária para diluir os poluentes.

Este artigo não pretende ensinar métodos de cálculo nem quais as normas a serem cumpridas. Este assunto é para os especialistas, que deveriam ser chamados sempre que houver a necessidade de utilizar um sistema de ar condicionado.

O leigo, que desembolsa altas somas para ter um ar condicionado, muitas vezes nem imagina que aquela instalação pode ser nociva aos ocupantes, a si mesmo ou a seus entes queridos.

No mínimo, de uma forma muito simples, pelo menos para evitar o “ar viciado”, deveria ser instalado um sistema de insuflamento e/ou exaustão para trabalhar simultaneamente com o sistema de ar condicionado.

SISTEMA

Os projetistas, fabricantes dos equipamentos e instaladores, atendem o mercado de acordo com as espectativas dos compradores. Mas, nem sempre existe um projeto para nortear o comprador. Quando existe, deveria constar destacadamente soluções para admissão de ar externo filtrado e/ou extração do ar viciado do ambiente, bem como, no memorial descritivo, elencar as Normas e Leis aplicáveis em cada caso.

Estas soluções não encareceriam o projeto e a responsabilidade do não cumprimento das Normas e Leis seria do cliente, que desta feita não poderia alegar desconhecimento, pois recebeu e pagou por um projeto detalhado.

Como o cliente nem sempre tem o conhecimento suficiente para avaliar se o projeto está sendo executado corretamente, o próprio projetista pode ser contratado para analisar as propostas e fiscalizar a execução das instalações.

Aliás, cabe aqui definir quem é o cliente.

FALTA DE PROJETO

As instalações de pequeno porte, de uso unifamiliar ou simplesmente compostas de vários aparelhos individuais, normalmente são dimensionadas por vendedores de máquinas, pequenas empresas ou profissionais autônomos com base em metros quadrados a serem condicionados e número de pessoas, a os instaladores se limitam a reunir e fixar todos os componentes.

Mesmo as instalações de maior porte com este tipo de equipamento carecem de tomadas de ar externo ou exaustão.

Invariavelmente quase nunca será instalado um sistema que ar exterior e o usuário final sempre será o prejudicado.

COMPRADOR

Leigo

Não sabe o que deve comprar. (se baseia nas informações do lojista ou de amigos)

Usuário Normal

Pode não ter elementos para saber o que está comprando e decide pela marca ou pelo preço

Intermediário

Normalmente sabe o que está comprando, paga um sistema completo ou deixa uma infraestrutura para terceiros completarem posteriormente. Neste caso não vai arcar com o custo todo e não sabe quem será o usuário final.

Faz um investimento inicial menor e não vai utilizar o que está pagando.

Usuário Consciente

Deveria contratar um projetista que certamente vai fazer constar no projeto as necessidades básicas do sistema a ser instalado, com as taxas de admissão de ar novo e obedecer todas as normas e leis aplicáveis.

AVALIAÇÃO DO PREÇO JUSTO

O preço inicial do ar condicionado não representa o custo.

Conforme o sistema adotado, o número de horas por dia de utilização, a frequência das manutenções, as tarifas de energia, a vida útil dos equipamentos e muitos outro fatores  é que vão determinar o custo do ar condicionado.

Considerando-se ainda que o custo de um projeto representa um percentual pequeno em relação à instalação e esta um percentual muito menor em relação ao custo total do empreendimento, não se justifica economizar no projeto, em prejuízo da qualidade.

Um bom projeto pode determinar um custo muito menor, ao longo do tempo. Mas nem sempre quem contrata o projeto não é o usuário final e os projetistas ficam a mercê dos contratante, que aviltam os preços visando o lucro imediato.

Sendo assim, antes de instalar seu ar condicionado, consulte um especialista.

E lembre-se, uma consulta tem um valor e este pode levar ao preço justo.

Por Engº Sidney E. Cupolo

Consultor e titular da empresa
SEC – Associados